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Por Fernanda C. Freire

Fernanda é estudante de graduação em Psicologia da PUC-Rio e bolsista de iniciação científica do L2PS

 

Este estudo tratou de adaptar para o Brasil e buscar evidências de validade de uma escala para medir os níveis de Vaidade das pessoas. A vaidade pode ser entendida como um sentimento de valorizar a si mesmo, tanto em seu aspecto físico como em seu aspecto de realizações e conquistas pessoais. É uma característica tão marcante da natureza humana que é considerada um dos sete pecados capitais. É um tema bem conhecido no senso comum, no nosso dia-a-dia, mas também é um tema estudado pela Psicologia.

Do ponto de vista da Psicologia, a vaidade pode ser compreendida como um conceito que tem  quatro dimensões distintas, porém interligadas:  duas delas estão relacionadas à preocupação e, as outras duas, relacionadas à visão positiva; preocupação com a aparência física, preocupação com as próprias realizações, visão positiva da aparência física, e visão positiva das próprias realizações. Por meio dessa conceituação foi possível desenvolver instrumentos para medir a vaidade das pessoas. Assim, a medida da vaidade de cada pessoa é feita nessas quatro dimensões.

Mas qual a importância da mensuração de vaidade e, consequentemente, da construção de uma escala psicológica para medi-la? Varias podem ser as respostas para essa pergunta. Vamos destacar algumas: uma medida pode ser usada na área de avaliação psicológica; ela pode ser utilizada em pesquisas para entendermos quais fatores estão relacionados com a vaidade, o que a causa, como ela se desenvolve etc; ela também pode ser útil para outras áreas do conhecimento que precisam conhecer os níveis de vaidade para compreender seus objetos de estudo, por exemplo, ela pode ser útil nas áreas de Marketing, Publicidade e Propaganda, Moda etc.

Neste estudo, nós mostramos que a versão adaptada para o Brasil da escala de vaidade possui adequados indicadores de validade e precisão. Ou seja, a nossa versão da escala está medindo vaidade adequadamente e também com pouco erro. Para chegarmos a essas conclusões, nós aplicamos a escala em mais de 600 pessoas das cinco regiões do Brasil e fizemos vários testes, incluindo relações com traços de personalidade. Quer saber mais sobre o estudo ou ter a escala para usar em seus estudos? Entre em contato conosco!

 

Como citar este estudo:

 

Freire, F. C. ., Santos, A. L., Laskoski, L. M., & Natividade, J. C. (2016). Adaptação e evidências de validade para o brasil de uma escala de vaidade. Pôster apresentado na 46ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia, Fortaleza, CE.

 

Seleção para Mestrado no L2PS

Está no ar o edital para seleção de Mestrandos do L2PS

Abaixo você pode ver o Edital de seleção para o Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da PUC-Rio, para ingresso em março de 2017. O Professor Jean C. Natividade receberá candidatos ao Mestrado.

O período de inscrições vai de 01 de agosto a 30 de setembro de 2016. Confira o Edital para maiores detalhes.

Dica: é recomendável que os interessados entrem em contato com o professor para terem ideia dos temas de pesquisa do grupo.

O poder de Deus: diferenças de personalidade entre quem acredita e quem não acredita em algo superior

Por Marina Vilela

Marina é estudante de graduação em Psicologia da PUC-Rio e iniciação científica do L2PS

 

A religiosidade é um assunto que desperta muito interesse tanto no nosso dia a dia, quanto nas pesquisas científicas. É difícil encontrar alguém que nunca se questionou sobre esse assunto.

 

Pode-se esperar que os graus de interesse e motivação das pessoas sobre a religiosidade tenham algo a ver com suas características de personalidades. Nós resolvemos testar essas possíveis relações, neste estudo. Mais especificamente, nós queríamos saber se existiriam diferenças de personalidade entre as pessoas que tinham uma crença religiosa e aquelas que não tinham crença religiosa. Nesse momento, nós não estávamos tentando entender nenhuma crença religiosa específica (nenhuma religião em específico), mas sim queríamos entender as diferenças entre as pessoas que tinham e as que não tinham uma crença em algo superior. Para isso, nós aplicamos um questionário em 4.641 brasileiros. Nesse questionário nós perguntávamos se a pessoa tinha algum tipo de crença religiosa (se acreditava em algum deus, deuses, força espiritual ou algo semelhante) e um teste de personalidade.

 

O teste de personalidade que usamos acessa os cinco grandes fatores de personalidade. Esses cinco grandes fatores são cinco características de personalidade em que as pessoas apresentam níveis de intensidade diferentes. Os cinco grandes fatores consistem em: Extroversão, que se refere à comunicação e facilidade em estabelecer relações interpessoais; Socialização, relacionada à tendência a ser compassivo e cooperante; Realização, que consiste na tendência a mostrar autodisciplina, orientação para os deveres e para atingir os objetivos; Neuroticismo, que diz respeito à instabilidade emocional, ansiedade, estresse; e Abertura a novas experiências, que diz respeito à curiosidade e à complexidade intelectual.

 

Nós encontramos diferenças significativas entre os crentes (em algo superior, não necessariamente um deus em específico) e os não crentes para todos os fatores de personalidade. Os crentes mostraram médias mais altas nos fatores Extroversão, Socialização, e Realização; os não crentes, por outro lado, apresentaram médias mais altas em Neuroticismo e Abertura. Embora tenham sido encontradas diferenças significativas em todos os fatores, o fator Socialização foi o que apresentou a maior diferença.

 

Esse estudo mostrou que há diferenças significativas em características de personalidade entre as pessoas que acreditam em algo superior e aquelas que não acreditam. A principal diferença entre os dois grupos de pessoas foi no fator de personalidade relacionado ao altruísmo, ao comportamento de ajudar. Aqueles que acreditam em algo superior mostram uma tendência mais forte ao altruísmo e ajuda, comparados àqueles que não acreditam. É importante ressaltar que o estudo lida com amostras e médias, e isso não representa uma pessoa em específico; mas sim uma tendência populacional. Também é importante salientar que o estudo não tratou de nenhuma religião específica, mas sim crença em algo superior.

 

Como citar este estudo:

 

Vilela, M. C. S., Santos, A. L., & Natividade, J. C. (2016). The power of God: Believers and nonbelievers differences in big-five factors of personality. Paper presented at 2nd World Conference on Personality, Buzios, RJ.

 

Diferenças entre homossexuais, heterossexuais e bissexuais nas esferas da personalidade e sociossexualidade

Por Andréia Gurvitz

Andréia é estudante de graduação em Psicologia da PUC-Rio e bolsista de iniciação científica do L2PS

 

Atualmente, aspectos como orientação sexual, restrição sexual e personalidade são de grande interesse para o entendimento de relações interpessoais e busca de parceiros românticos.

 

Podemos entender a orientação sexual como a atração afetivo-sexual que um indivíduo sente por outros. As classificações mais conhecidas de orientação sexual são: homossexual (quando a atração é por alguém do mesmo sexo), heterossexual (quando a atração é por alguém do sexo oposto) e bissexual (quando a atração é tanto por alguém do mesmo sexo, quanto por alguém do sexo oposto). No nosso estudo, nós usamos apenas essas três classificações.

 

Já orientação sociossexual, ainda que o nome seja parecido com a anterior, quer dizer outra coisa. Orientação sociossexual pode ser compreendida como uma característica individual referente à tendência à permissividade à prática sexual em relacionamentos sem compromisso. Ou seja, ela diz respeito ao quanto uma pessoa considera ok estabelecer relacionamentos casuais (sexo casual).

 

Outro conjunto de características pessoais que tem se revelado importante na explicação de processos de interação social são os cinco grandes fatores de personalidade: Extroversão – referente à comunicação e facilidade em estabelecer relações interpessoais; Socialização – referente a comportamentos de ajuda; Realização – relacionado à responsabilidade e alcance de metas e objetivos; Neuroticismo – fator atrelado à instabilidade emocional; e Abertura a novas experiências – relacionada à curiosidade e à complexidade intelectual.

 

No nosso estudo, queríamos saber se homossexuais, heterossexuais e bissexuais apresentavam características de personalidade e de sociossexualidade diferentes entre si. Nós aplicamos um questionário em 4.928 pessoas que se autoclassificaram como heterossexuais, homossexuais ou bissexuais.

 

Nossos dados mostraram que os homossexuais têm mais comportamento e desejo por relacionamentos casuais do que os heterossexuais e bissexuais. Apesar disso, foram os bissexuais que se mostraram mais favoráveis ao sexo casual. No que diz respeito à personalidade, observamos diferenças entre os grupos para três fatores de personalidade: Socialização; Neuroticismo; e Abertura a experiências. Nós verificamos que os heterossexuais apresentaram maiores níveis em Socialização do que os homossexuais e bissexuais. Por outro lado, os heterossexuais mostraram menores níveis de Neuroticismo e Abertura a experiências do que os homossexuais e bissexuais. Apesar de encontrarmos algumas diferenças entre os grupos de acordo com a sexualidade, também encontramos algumas semelhanças.

 

Os resultados reforçam a importância de estudarmos a personalidade e seu impacto nas relações humanas. Estudos futuros podem se voltar para aprofundar possíveis explicações para as diferenças encontradas, sobretudo, levando em conta fatores como preconceito e discriminação.

 

Como citar este estudo:

 

Talbot, V. G. A., Gurvitz, A. S., Degrave, A. M. L., & Natividade, J. C. (2016). Personality and sociosexuality differences among heterosexuals, homosexuals, and bisexuals. Paper presented at 2nd World Conference on Personality, Buzios, RJ.

 

Diferenças de personalidade entre pessoas fiéis e infiéis em relacionamentos amorosos

Por Pedro Cunha

Pedro é estudante de graduação em Psicologia da PUC-Rio e iniciação científica do L2PS

 

A infidelidade em relacionamentos amorosos é algo muito comum. Quase todo mundo conhece alguém que já traiu ou foi traído em um relacionamento amoroso. A infidelidade é um fenômeno que pode ser compreendido sob vários pontos de vista. Por exemplo, pode-se compreender a traição como física (contato físico, beijos, sexo etc); emocional (se apaixonar, amar); e até mesmo virtual (conversas via internet, troca de fotos e vídeos etc). Determinar o que de fato é infidelidade para alguém é algo que perpassa uma percepção muito individual e subjetiva. Um bate papo online, virtual, poderia ser considerado traição? Isso depende de cada um e de cada relacionamento.

 

Com esse entendimento, nós fizemos uma pesquisa para verificar se as pessoas que achavam que tinham sido infiéis nos seus últimos relacionamentos teriam características de personalidade diferentes daquelas que achavam que não tinham sido infiéis. Nós perguntávamos às pessoas o seguinte: "Diante do que você entende por infidelidade, você considera que foi infiel ao seu parceiro em seu último relacionamento amoroso?". Dos 322 brasileiros que participaram do estudo, 24% disseram que sim (que tinham sido infiéis). Nós, então, comparamos as caraterísticas de personalidade dessas pessoas com as daquelas que disseram que não tinham traído seus parceiros.

 

Nós comparamos a personalidade dos dois grupos em cinco grandes dimensões (utilizamos o modelo dos cinco grandes fatores de personalidade). Os cinco grandes fatores são: Extroversão (caracterizado por uma tendência a procurar a companhia e estímulos dos outros; a se envolver muito ativamente com o mundo exterior; a buscar estar com pessoas e se comunicar); Socialização (caracterizado como uma tendência a ser compassivo e cooperativo para com os outros; a demonstrar empatia, altruísmo e comportamentos de ajuda); Realização (também conhecido como conscienciosidade, é caracterizado por uma tendência a demonstrar maior autocontrole na realização de tarefas que levam a um objetivo; a ser disciplinado e organizado); Neuroticismo (uma tendência a demonstrar instabilidade emocional e experimentar emoções negativas, como raiva, ansiedade, depressão e ainda experimentar); e, por fim, Abertura a novas experiências (uma tendência a experimentar novidades; a demonstrar curiosidade e complexidade intelectual). As pessoas apresentam níveis diferentes de cada uma dessas dimensões.

 

Os nossos participantes que afirmaram terem traído seus parceiros mostraram maiores níveis em abertura a experiências e em extroversão. Esses resultados nos dizem que, sim, as pessoas que traem e as que não traem têm características diferentes de personalidade. Nossa hipótese é que altos níveis de abertura experiências e extroversão podem contribuir para aumentar as chances das pessoas de encontrarem potenciais parceiros para uma traição. Agora, saber o que as pessoas entendiam por traição é o foco de um próximo estudo.

 

Como citar este estudo:

 

Cunha, P. F. A., & Natividade, J. C. (2016). Personality differences between unfaithful and faithful persons in romantic relationships. Paper presented at 2nd World Conference on Personality, Buzios, RJ.

 

O quanto seu estilo de amar é impactado por seus traços de personalidade? Relações entre estilos de amar e personalidade

Por Livia Gois

Livia é estudante de graduação em Psicologia da PUC-Rio e iniciação científica do L2PS

 

Nesse estudo testamos as relações entre estilos de amar e personalidade. A teoria dos estilos de amar, também conhecida como cores do amor, foi proposta inicialmente por J. Lee (1973). Segundo essa teoria, seis estilos de amar podem ser encontrados nas pessoas em relacionamentos amorosos. Os estilos são: Eros - baseado no amor erótico, que geralmente inicia com uma grande atração física, em que os sujeitos se guiam por um tipo de pessoa ideal, abrindo-se mutuamente para o conhecimento; Ludus - se refere a pessoas que não acham um tipo de par ideal, eles tipicamente procuram prazer e gostam de jogar o jogo do amor sem compromisso; Storge -  ou amor companheiro, onde a afeição e o compromisso se desenvolvem gradativamente, não possuindo o sujeito um tipo ideal, mas procurando conhecer outras pessoas que apreciem as mesmas atividades de seu interesse e com as quais pode se unir; Mania (Eros + Ludus) - refere-se a pessoas que mostram obsessivamente preocupação com seu amante, eles geralmente exibem ciúmes e comportamento possessivo; Ágape (Eros + Storge) - amor altruísta, respeitoso, dedicado, desinteressado; Pragma (Ludus + Storge) - baseado em interesses comuns, em que se valoriza a compatibilidade. Esses fatores representam formas de interações, de cada indivíduo, em relacionamentos amorosos.

 

A personalidade, por sua vez, pode ser compreendida a partir de cinco grandes fatores.  Cada pessoa apresenta níveis de intensidade diferentes desses cinco fatores. Esses fatores dizem respeito a: Extroversão - uma tendência a buscar estimulação na interação com outros, a ser ativo e comunicativo; Socialização - uma tendência a demonstrar empatia, altruísmo e comportamentos pró-social; Realização - uma tendência ao autocontrole na realização de tarefas que conduzem a um objetivo, a ser disciplinado e organizado; Neuroticismo - uma tendência a demonstrar instabilidade emocional, a experimentar emoções negativas, ansiedade, depressão; e, por último, o fator Abertura - uma tendência a experimentar coisas novas, a demonstrar curiosidade e complexidade intelectual.

 

Para testar as relações entre estilos de amar e personalidade, nós aplicamos um questionário em 583 brasileiros, a maioria estudantes universitários.

 

Dentre as muitas correlações encontradas entre os seis estilos e cinco fatores, as que mais se destacaram foram: estilo amor Ludus negativamente correlacionado com Realização e positivamente com Abertura; estilo de amor Mania, correlacionado positivamente com Neuroticismo. Negativamente ou positivamente correlacionado diz respeito ao sentido como os construtos de correlacionam. Quando a correlação é negativa, eles se relacionam em sentidos opostos, ou seja, enquanto um cresce o outro decresce.

 

Enfim, nossos resultados mostraram que variações nos padrões de amar estão, sim, relacionadas com características de personalidade.

 

 

Como citar este estudo:

 

Fonseca, L. G., Menezes, K. S., Santos, A. L., & Natividade, J. C. (2016). How trait-oriented is your love style: Relationships among love styles and big-five factors of personality. Paper presented at 2nd World Conference on Personality, Buzios, RJ.

 

 

 

Mais referências sobre o assunto:

 

De Andrade, A. L., & Garcia, A. (2009). Attitudes and Beliefs about Love: Brazilian Version of The Love Styles Scale. Interpersona: An International Journal on Personal Relationships, 3, 89-102.

 

Lee, J. A. (1973). Colours of love: An exploration of the ways of loving. New Press.Mallandain,I., & Davies, M. F. (1994). The colours of love: Personality correlates of love styles. Personality and Individual Differences, 17(4),557-560.

 

Natividade, J. C., & Hutz, C. S. (2015). Short Form Scale of Descriptors of the Five Personality Factors: Pros and Cons. Psico, 46(1), 79-89.

 

White, J. K., Hendrick, S. S., & Hendrick, C. (2004). Big five personality variables and relationship constructs. Personality and individual differences, 37(7), 1519-1530.

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